Cardiotoxicidade de agrotóxicos: extratificação de riscos para indução e agravamento do infarto agudo do miocardio

por Mayta Mamede Negreto Peixoto
Publicado: 09/02/2026 - 14:06
Última modificação: 09/02/2026 - 14:06

O Brasil é o terceiro maior consumidor mundial de pesticidas, e Minas Gerais ocupa a 6 posição em consumo geral de agrotóxicos por peso. O elevado consumo de pesticidas reflete em frequente contaminação da água e alimentos. Os pesticidas são conhecidos por induzir toxicidade em múltiplos órgãos, incluindo o sistema cardiovascular. De maneira geral, o entendimento do potencial cardiotóxico dos pesticidas é limitado quanto à natureza dos diferentes tipos, a magnitude da exposição (tempo e concentração) necessários para induzir toxicidade para cada pesticida, bem como os mecanismos celulares e moleculares determinantes dessa cardiotoxicidade. Nesse sentido, ainda se conhece muito pouco sobre o potencial de cada tipo de pesticida em induzir doenças cardíacas como o infarto agudo do miocárdio (IAM), e tampouco em agravar os desfechos dessas doenças, quando já preestabelecidas. Essa proposta tem por objetivo estudar o potencial cardiotóxico dos principais pesticidas encontrados como contaminantes alimentares da dieta típica dos mineiros e do Brasil. A proposta é dividida em 3 partes: 1-Investigar a cardiotoxicidade de pesticidas após exposição prolongada à baixas doses, com ingestão diária admitida pela ANVISA. 2-Investigar o efeito de pesticidas para o agravamento de desfechos secundários ao IAM. 3-Correlacionar concentrações de pesticidas encontradas nos modelos experimentais com a concentração de pesticidas no plasma de pacientes mineiros que sofreram IAM. Esses dados irão posicionar a relevância das concentrações permitidas pela ANVISA frente à magnitude de contaminação da população mineira. A partir dos dados dessa proposta, será possível avaliar o potencial cardiotóxico, e criar uma estratificação de risco cardiotóxico dos principais pesticidas aos quais o povo mineiro e do Brasil em geral está mais frequentemente exposto, para contaminação a longo prazo e para concentrações efetivamente permitidas de contaminarem o ambiente.

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